Fim das bets: Carlinhos Maia, Malévola e outros influenciadores perdem contratos milionários
Foto: Reprodução/Instagram @carlinhos
O anúncio do governo de que vai proibir as casas de apostas — as famosas bets — no Brasil caiu como uma bomba no mercado de influência digital. Com a medida provisória anunciada na sexta-feira, 25 de setembro, influenciadores que faturavam alto divulgando plataformas de apostas podem ver contratos milionários evaporarem. Entre os nomes citados estão Carlinhos Maia, Malévola Alves, MC Mirella, Jon Vlogs, Mari Menezes, Deolane Bezerra e Rico Melquiades.
As casas de aposta têm até o dia 5 de outubro para liberar os saques dos usuários e encerrar as operações no país. Para os criadores de conteúdo, o prazo marca o fim de uma das fontes de renda mais lucrativas — e polêmicas — da internet brasileira nos últimos anos.
Carlinhos Maia: o maior nome da lista
Carlinhos Maia é um dos influenciadores mais associados à divulgação de bets no Brasil. Com mais de 36 milhões de seguidores, o humorista fechou contratos com plataformas como Blaze e Esportes da Sorte — nomes que se tornaram onipresentes nas redes sociais brasileiras.
Os valores envolvidos impressionam: reportagens citadas pela relatora Soraya Thronicke na CPI das Bets apontam contratos de até R$ 40 milhões por ano envolvendo o influenciador. Carlinhos chegou a ser convocado para depor na comissão parlamentar de inquérito, mas não compareceu para prestar depoimento.
Com o fim das operações das bets no país, publis desse tipo deixam de existir — e criadores do porte de Carlinhos Maia estão entre os mais afetados financeiramente, já que os contratos com casas de apostas representavam uma fatia relevante da receita de muitos influenciadores.
Quem mais pode ser afetado
A lista de influenciadores ligados à divulgação de apostas é extensa. Malévola Alves, com cerca de 700 mil seguidores, ficou conhecida por divulgar o chamado "jogo do Tigrinho". MC Mirella também tinha contrato com a Blaze, uma das plataformas mais populares do país.
Jon Vlogs, com mais de 10 milhões de inscritos, divulgava a Superbet. Mari Menezes é outro nome citado entre os criadores que faziam propaganda de casas de apostas. Já Deolane Bezerra e Rico Melquiades estavam ligados à Zeroum, plataforma que também será atingida pela proibição.
Para todos eles, o cenário é o mesmo: contratos em vigor perdem o objeto, novas campanhas deixam de ser fechadas e uma fonte de renda bilionária — no conjunto do mercado — seca de uma hora para outra.
O que diz a medida
A medida provisória anunciada pelo governo proíbe a operação das casas de apostas no Brasil. As empresas têm até 5 de outubro para liberar os saques dos apostadores e encerrar as atividades. Paralelamente, um projeto em tramitação no Congresso prevê punições duras para quem divulgar esse tipo de plataforma: a pena pode chegar de 2 a 4 anos de prisão.
É importante distinguir as duas frentes: a medida provisória, de efeito mais imediato, trata do encerramento das operações; o projeto de lei, ainda sujeito à análise do Congresso, endurece as punições para a divulgação. Juntas, as iniciativas sinalizam o fim da era das bets no Brasil — um mercado que movimentou bilhões e dominou a publicidade digital nos últimos anos.
A polêmica das publis de apostas
A divulgação de bets por influenciadores sempre foi cercada de controvérsia. De um lado, criadores defendiam que se tratava de publicidade legal de empresas autorizadas a operar. De outro, críticos apontavam que a propaganda massiva — muitas vezes com promessas de ganhos fáceis — alimentava o vício em jogos de azar, com impactos sociais graves, especialmente entre jovens e pessoas em situação de vulnerabilidade.
A CPI das Bets investigou justamente essa relação entre influenciadores e casas de apostas, colocando nomes de peso sob os holofotes. O depoimento de alguns criadores na comissão gerou momentos de tensão e ampliou o debate público sobre os limites da publicidade de jogos de azar.
O impacto no mercado de influência
As bets se tornaram, em poucos anos, uma das maiores anunciantes do mercado de influência brasileiro. Contratos com casas de apostas pagavam valores muito acima da média das publis tradicionais, e muitos criadores reorganizaram a própria carreira em torno dessa receita. O fim repentino desse mercado obriga influenciadores a buscar novas fontes de renda — e agências a recalcular estratégias inteiras.
Para o público, a mudança deve se refletir no feed: menos stories com links de apostas, menos "dicas" de jogos e menos promessas de lucro fácil. Para os criadores afetados, o desafio agora é preencher o buraco deixado por contratos que, em alguns casos, representavam a maior parte do faturamento.
E agora?
Com o prazo de 5 de outubro se aproximando, o mercado acompanha de perto os desdobramentos: as casas vão mesmo encerrar as operações? O Congresso vai aprovar as punições para divulgação? E como os influenciadores vão se reposicionar sem as publis de apostas?
Uma coisa é certa: o fim das bets marca uma virada na internet brasileira — e nomes como Carlinhos Maia, Malévola, MC Mirella, Jon Vlogs, Mari Menezes, Deolane Bezerra e Rico Melquiades estão no centro dessa transformação. O Fama Agora segue acompanhando cada capítulo dessa história.
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