Brasil empata com a Austrália no último lance e Rayan salva a seleção

Rayan comemora gol pela seleção brasileira contra a Austrália

Foto: SAEED KHAN/AFP

Foi no sufoco, mas o Brasil evitou a derrota. Na noite desta quinta-feira, no Queensland Country Bank Stadium, em Townsville, a seleção brasileira empatou por 1 a 1 com a Austrália no primeiro amistoso após a Copa do Mundo, em partida que marcou o início da caminhada rumo ao Mundial de 2030.

O gol salvador saiu dos pés — ou melhor, da cabeça — de Rayan. O atacante entrou na reta final do jogo e, já nos acréscimos, apareceu na área para cabecear e deixar tudo igual, calando a torcida australiana e evitando um vexame na estreia da nova era.

Como foi o jogo

O Brasil começou melhor e criou as primeiras chances, mas esbarrou na marcação forte dos donos da casa. Aos poucos, a Austrália equilibrou as ações e passou a assustar em contra-ataques e bolas paradas. No segundo tempo, aos 22 minutos, veio o castigo: em cobrança de falta, Nestory Irankunda bateu com categoria e contou com uma falha do goleiro Hugo Souza para abrir o placar para os australianos.

Em desvantagem, a seleção de Carlo Ancelotti se lançou ao ataque. O Brasil chegou a balançar as redes com Estêvão, mas o gol foi anulado por falta de Bruno Guimarães na origem da jogada. A pressão seguiu até o fim, e a recompensa veio no apagar das luzes: Rayan, recém-saído do banco, subiu mais alto que a zaga e testou firme para o fundo do gol, decretando o empate por 1 a 1.

Ancelotti pede paciência

Após a partida, em coletiva de imprensa que durou cerca de seis minutos, Carlo Ancelotti pediu paciência aos torcedores — e fez isso duas vezes. O treinador italiano adotou um tom de tranquilidade e destacou que o momento é de construção.

"Não é um início de ciclo, é uma continuação de um ciclo do ano passado. Agora, a prioridade é dar minutos aos jogadores como Endrick e Estêvão, que são os jogadores que têm a prioridade. Temos que ter um pouco de paciência, mas estou convencido que podemos melhorar", afirmou o comandante.

Ancelotti também reforçou que há espaço para os jovens ganharem minutagem e se firmarem na equipe. A mensagem do treinador foi clara: o projeto para 2030 passa pela renovação, e isso exige tempo.

Rayan, o herói da noite

O autor do gol da igualdade também falou após o apito final. Rayan, que já havia marcado seu primeiro gol pela seleção principal meses antes, celebrou o momento, mas não escondeu a insatisfação com o resultado.

"A gente não entra em campo para perder. A gente entra para ganhar. Hoje não foi possível, mas a gente tem outra revanche contra eles e vamos buscar a vitória", declarou o atacante. Ele ainda fez uma autocrítica sobre o desempenho coletivo: "Temos que melhorar a nossa parte defensiva, também a nossa parte com a bola. Sem a bola, a gente tem que marcar mais. Com a bola, a gente tem que ter um pouco mais de paciência e não ter pressa para resolver as jogadas".

Primeiro teste do ciclo até 2030

O amistoso em Townsville foi o primeiro compromisso da seleção brasileira após a Copa do Mundo, abrindo oficialmente a caminhada rumo ao Mundial de 2030. A excursão pela Oceania serve como laboratório para Ancelotti observar nomes que brigam por espaço e testar formações em um ambiente de menor pressão.

A partida também mostrou que, mesmo em início de trabalho, a cobrança por resultados segue alta. O gol sofrido em cobrança de falta e o tento anulado de Estêvão mantiveram o roteiro dramático até o fim — e coube a Rayan, um dos jovens que o treinador quer ver com mais minutos, resolver no apagar das luzes e garantir que o novo ciclo não começasse com derrota.

As escalações

O Brasil foi a campo com: Hugo Souza; Wesley, Fabrício Bruno, Gabriel Magalhães e Alex Sandro (Douglas Santos); Casemiro, Bruno Guimarães e Lucas Paquetá (Endrick); Estêvão (Luiz Henrique), Rodrygo (Rayan) e Vini Jr (Matheus Cunha). Técnico: Carlo Ancelotti.

A Austrália entrou em campo com: Mathew Ryan; Circati, Burgess, Degenek e Bos (Rowles); O'Neill (Metcalfe) e Irvine; Silvera (McGree), Toure (Robertson) e Irankunda; Duke (Yengi). A arbitragem ficou por conta do japonês Ryo Tanimoto.

Revanche já tem data

Brasil e Austrália voltam a se enfrentar na próxima terça-feira, em Brisbane, no segundo e último amistoso desta data Fifa na Oceania. A expectativa é que Ancelotti promova mudanças na equipe titular e dê mais oportunidades aos jovens, seguindo a linha do discurso de renovação.

O empate em Townsville deixou um gosto amargo, mas também uma lição: a caminhada até 2030 será longa, e a paciência pedida pelo treinador italiano pode ser o ingrediente mais importante deste novo ciclo. Com Rayan decidindo no fim, ao menos o Brasil volta para casa sem a derrota no bolso — e com um nome a mais para ficar de olho.

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